Cayo Costa: 'A tendência hoje é que se veja a cirurgia de uma forma mais ampla, sem culpas'

O Brasil sempre esteve na lista dos países líderes em número de cirurgias plásticas. Desde o ano passado, no entanto, o país superou, pela primeira vez, os Estados Unidos, ao realizar mais de 1,49 milhão de operações, o que equivale a quase 13% do total mundial - em território americano, foram 1,45 milhão. 

Os dados divulgados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica - Isaps, na sigla em inglês - refletem que a autoestima ganha mais poder a cada dia. Segundo o cirurgião plástico Cayo Costa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o conceito está à frente do modismo.

"Não identifico tendências para essa ou aquela técnica, mas sim em relação ao entendimento que as pessoas vêm desenvolvendo sobre a cirurgia. Nitidamente, observa-se uma valorização crescente da autoimagem como fator fundamental na qualidade de vida. E a cirurgia plástica, indiscutivelmente, é uma das ferramentas mais importantes para resgatar a autoestima e, consequentemente, trazer benefícios em vários segmentos da vida das pessoas. Por isso, a tendência hoje é que se veja a cirurgia de uma forma mais ampla, sem culpas, não mais como um procedimento meramente estético e superficial, mas como um grande aliado na melhora da qualidade de vida", explica o médico, que mantém um consultório na Barra da Tijuca (tel.: 21 3282-5222 ou 21 7884-8160).

No mesmo relatório, o Brasil é líder mundial em dez dos dezenove tipos de cirurgia listados no relatório, incluindo rinoplastia (77.224), rejuvenescimento vaginal (13.683), aumento dos glúteos (63.925) e transplante capilar (8.319).  E esse crescimento é visto com bons olhos pelo médico, que constata que as pessoas assumiram precisar da beleza. E estão em busca dela.

"Vejo como positivo sob dois aspectos: o primeiro é a quebra de paradigmas e a conscientização de que a saúde física caminha junto ao equilíbrio psicológico, e a autoestima é uma condição básica para esse equilíbrio, daí a busca pela cirurgia plástica. O segundo aspecto positivo é que, apesar de muitos índices desfavoráveis, continuamos a nos destacar mundialmente pela qualidade na formação de nossos cirurgiões, elevando o nível especialidade no Brasil. Já o lado sombrio de tantos procedimentos é a proliferação dos maus profissionais, que não são especialistas e se aventuram a praticá-los, expondo a população a diversas consequências perigosas", alerta.

Mulheres mais maduras optam por intervenções na face

Já sobre as cirurgias mais procuradas no seu consultório, Cayo afirma que a lipoaspiração é ainda a preferida de muitos pacientes. "É totalmente compreensível e justificável a busca por essa cirurgia que, sendo bem conduzida e de forma séria, traz resultados muito gratificantes com benefícios incríveis. Outros procedimentos pouco invasivos, como aplicação toxina botulínica e os preenchimentos, também são muito solicitados. Mas, quando falamos de cirurgia, o principal critério é a faixa etária. Quanto mais jovem, maior a procura pelos procedimentos que trabalham o contorno corporal. À medida que amadurecem, o tratamento de face e pálpebras costuma ganhar força", explica. 

Outro ponto observado pelo cirurgião plástico é a tendência da diminuição do tamanho das próteses, valorizando um aspecto mais natural dos seios da mulher, bem como o seu caimento. "A prótese é outro procedimento que veio para ficar. Não é um modismo, pois atinge em cheio um dos principais alvos da autoestima feminina, que é a glândula mamária. Não vejo essa tendência de redução de volumes tão nítida, mas sim como um processo de amadurecimento dos próprios cirurgiões ao indicarem a cirurgia. Ou seja, antes se indicava o uso do implante para mamas que, na verdade, deveriam ter uma retirada de pele concomitante. Para isso, usavam-se volumes grandes numa tentativa de corrigir mamas muito flácidas. Hoje, com a curva de experiência adquirida com os anos, entendemos que, se há excesso de pele, temos sim que fazer uma mamoplastia e usar implantes menores. Mas, nos casos bem indicados, a valorização do colo continua sendo almejada pela maioria das mulheres e o volume indicado será proporcional a cada caso", observa. 

De acordo com ele, apesar do volume crescente de procedimentos realizados, os valores praticados vêm se tornando, progressivamente mais acessíveis. O número de pessoas submetidas é maior, mas o número de profissionais também e, consequentemente, o mercado modula os preços. "O lado bom da ampliação do mercado é o maior acesso da população a um benefício que era reservado à elite. O lado negativo é uma certa banalização, o que acaba envolvendo a especialidade, contribuindo para que profissionais pouco qualificados se misturem e pratiquem procedimentos sem a segurança e padrão necessários. Inevitavelmente, qualidade e custo caminham justos", finaliza.