Até 4 de novembro, a Casacor Rio apresenta as tendências em design, arquitetura e decoração em grande mostra na Ladeira da Glória, mais especificamente em uma propriedade construída na década de 1920 e que serviu de sede para o grupo Monteiro Aranha. Distribuídos pelos 6 mil metros quadrados do terreno, estão 42 espaços, produzidos por 72 profissionais, em torno do tema "A Casa Viva", que propõe formas de morar em harmonia com a natureza, a partir de um estilo de vida ligado a memórias afetivas. 

Modalidades modernas de ocupação, como coliving, estúdios, apartamentos feitos sob medida para homens e mulheres, e coworking, foram desenvolvidas para dividir o mesmo condomínio, com espaços que variam dos 25 m2 aos 120 m2 quadrados e podem abrigar profissionais em início de carreira, jovens casais, solteiros de todas as idades, idosos, famílias. 

“Estamos vendo nascer um novo modelo de sociedade em que a generosidade e o compartilhamento são cada vez mais necessários. Não é mais preciso ter grandes propriedades. Você pode viver bem em casas menores sem abrir mão do luxo, mas daquele luxo necessário: peças que são importantes para você e te acompanham ao longo de sua história, um local agradável que te propicie qualidade de vida”, diz Patricia Quentel, sócia-diretora da Casacor Rio.

Casacor ocupa nesta edição casarão na Ladeira da Glória que serviu de sede para o grupo Monteiro Aranha. Foto: Ari Kaye

As áreas residenciais aparecem mais variadas nesta edição. No andar dedicado ao coliving, os ambientes vão de pequenas suítes e estúdios a exemplos de áreas compartilhadas como espaço gourmet, living e hall. Há ainda os apartamentos tradicionais, só que, segundo Patrícia Quentel, pensados para famílias em sua rotina contemporânea, como o casal que dividiu o imóvel em dois: uma parte fica do jeito dele e a outra, do jeito dela. E, unindo tudo, um living que proporciona o encontro, seja apenas o encontro do casal, seja o de ambos com os amigos.

Além das áreas residenciais, o evento também tem um andar inteiro dedicado ao coworking. Outra área que promete ser ponto de encontro é o terraço do prédio, que vai abrigar um bar e um bistrô, com vista da Baía de Guanabara, além da casa colonial, onde está instalado o restaurante e um garden café. Para completar o programa, há um lounge e cinema ao ar livre.

CONHEÇA ALGUNS DOS ESPAÇOS A SEGUIR

Loft do Homem, de Maurício Nóbrega

Loft do Homem. Foto: divulgação

A neutralidade da paleta de tons branco, cinza e madeira dá destaque à coleção de obras de fotógrafos brasileiros da atualidade neste loft. No hall de entrada, painéis retráteis de fotografias podem mudar o cenário a cada momento.

Na sala de estar, uma estrutura de alvenaria cria uma delimitação de ambientes para um pequeno laboratório fotográfico com câmara escura e varal de fotos, feito para o morador curtir seu hobby.

A cozinha, com bancada gourmet, inclui mesa de refeições de 3,5m x 1,3m, para confraternizar. Cozinha e banheiro ficam numa área ao ar livre, com um pergolado de madeira que permite a entrada de luz natural e um jardim vertical assinado pela paisagista Daniela Infante. Uma ducha descoberta reforça a atmosfera relaxante do espaço.

Suíte do casal, Claudia Pimenta e Patricia Franco 

Suíte do Casal. Foto: divulgação

Para um jovem casal de empresários, as arquitetas criaram uma suíte com a proposta de fazer o morador se desconectar do mundo lá fora. Elas tiram partido das multifunções que um quarto pode ter. Os móveis são arredondados, de maneira que conferem mais fluidez à circulação.

A paleta reúne tons claros e neutros, toques de dourado e riqueza de texturas, como no papel de parede com padronagem de costela-de-adão, em veludo bege, e no piso de carpete.

No banheiro, destaque para a pintura texturizada de metal líquido, com acabamento acetinado, que pode ser usada em áreas molhadas, e para o mármore sintético ultra resistente, usado no piso. Um aparador faz as vezes de bancada de pia, que foi posicionada fora do banheiro, ampliando suas possibilidades de uso.

Estar do coliving, de Jairo de Sender

Estar do Coliving. Foto: divulgação

A irreverência marca o living multiuso desta moradia compartilhada, com área para ler, assistir TV e estudos e trabalho. O papel de parede com referências art déco e o teto com pintura texturizada dourada contrastam com a marcenaria moderna, em laca nos tons nogueira e dourado. O mobiliário passeia por verde-musgo, azul-marinho e bege.

As paredes do corredor e do lavabo são revestidas com veludo azul-marinho, luxo que contrasta com a arte urbana dos pôsteres lambe-lambe, estampados com releituras satíricas de pinturas renascentistas. A arte, aliás, foi escolhida para provocar impacto no projeto, como na escultura suspensa de Ildeu Lazarini, com 29 mil alfinetes. Na bay-window, com jardim de orquídeas pendurado no teto, a manequim de loja sentada vira luminária com uma cúpula de abajur na cabeça.

Escritório do Empreendedor, de Luiz Fernando Grabowsky

Escritório do Empreendedor. Foto: divulgação

Numa homenagem ao fundador da Monteiro Aranha, o escritório com 50 m2 foi pensado para receber clientes para reuniões e pequenos coquetéis. Há uma mesa para uma conversa mais reservada, área de reunião e estar integrados.

O projeto aposta na mistura de materiais frios e quentes com equilíbrio, para resultar em um ambiente aconchegante e moderno. Piso em mármore bege escuro, subindo pela parede do sofá, estantes e painéis de madeira e tapete na área das mesas de trabalho fazem parte do mix de elementos. As bay-windows foram forradas de madeira escura para valorizar a vista, com cantinhos verdejantes nos peitoris.

O mobiliário passeia pelos tons de verde, com destaque para o bufê de laca brilho verde do Estúdio bola e poltronas Paraty, também de Sergio Rodrigues, em linho verde.

Cafofo Studio Ro+Ca (Rodrigo Béze, Carlos Carvalho e Caio Carvalho)

Cafofo Studio Ro+Ca

O Studio ro+ca embarcou no conceito do high-low para produzir uma suíte cool para um rapaz morando num coliving. A preocupação era criar um espaço sustentável, mostrando que uma decoração nesses moldes não precisa ser feita apenas com garrafas pet e madeira pinus. Assim, os arquitetos lançaram mão de uma parede de cobogós, elementos vazados de cimento, de baixo custo, e que permitem mais iluminação e ventilação naturais.

No banheiro, mais uma demonstração do high-low: pisos e paredes revestidos com os tradicionais e baratos ladrilhos 20x20, nas cores preto e branco, contrastando com cubas e torneiras assinadas por Jader Almeida para a Deca.

Colmeia Urbana, de Victor Niskier 

Colmeia Urbana. Foto: divulgação

O projeto do estreante Victor Niskier, o arquiteto mais jovem a assinar um espaço na mostra, toma como base a estrutura do pergolado onde a loja está instalada como elemento estético. Assim, vigas e colunas de concreto estão aparentes, sem revestimentos. Num jogo de contrastes, piso, uma parede e balcão são de mármore Carrara.

Niskier enfatiza o espaço de 24 m2 como estar contemplativo ao envidraçar a fachada voltada para o paredão rochoso e a vegetação. Na fachada frontal, grandes brises pivotantes com telas de palhinha remetem à brasilidade.

Como um casulo, uma estrutura de madeira curva começa no piso e segue parede acima até o teto, transformando-se em espaço de exposição de produtos, em prateleiras suspensas. Todo o mobiliário foi desenhado pelo arquiteto, com destaque para a cadeira Magrella, na versão balanço, e a estante com nichos tridimensionais.

Pop Up Carandaí 25, de Ivna Reis, Lucia Santoro, Juliana Neves, Raphaela Fogaça e Carolina Magoga (Kube Arquitetura)

Pop Up Carandaí 25. Foto: divulgação

O Coletivo Carandaí 25, plataforma de pequenos produtores de moda fundada por Tatiana Accioly, participa da Casacor inserido em uma atmosfera que se mostra quente e viva através das cores e da vegetação. Como o coletivo faz eventos itinerantes e temporários, o projeto, que fica no casarão colonial da mostra, em um espaço de 90 m2, é baseado em módulos que formam as araras e que podem ser transportados para onde o evento for, criando uma identidade visual para o coletivo. Os módulos são feitos de uma estrutura tubular com pintura cobre, com plantas espalhadas por toda a armação.

Horta Gourmet, de Carmen Mouro e Sergio Novaes

Horta Gourmet. Foto: divulgação

Para criar um ambiente que segue a tendência mundial do “slow living”, um estilo de vida direcionado a um modo de consumo sustentável, a dupla lançou mão de todas as temáticas da horticultura indoor: temperos em vasos de hidroponia, jardim vertical de plantas alimentícias, laboratório de mudas e sementes, desidratadores de folhas. 

Todos os materiais empregados no espaço, que tem um total de 40 m2, são naturais e reciclados, incluindo as madeiras de demolição com certificação DOF (Documento de Origem Florestal) e uma instalação vertical que utiliza sobras de fábrica de peças em inox.

Vista Bar e Lounge, de Paula Neder, Coletivo PN+ e Viviane Menescal 

Vista Bar e Lounge. Foto: divulgação

A paisagem foi a inspiração para o projeto, que valoriza a simplicidade. Bistrô, bar, lounges e terraço são pensados como um espaço único, apesar de suas características específicas. Paula aposta na mistura de cores e materiais, com um mix de revestimentos e mobiliário em tons de verde, rosa, cinza e madeira, com design variado, que traz o ar carioca e descontraído.

O painel de azulejos hidráulicos e madeira, criado numa parceria entre o Coletivo MUDA e a Parquet Nobre, reveste a parede, trazendo uma referência à arte urbana. Destaque para o projeto luminotécnico, com lâmpadas defletoras salpicadas no teto e na parede do bar, uma ideia simples que dá um efeito arrojado à iluminação.

As estantes do bistrô e do bar, desenhadas especialmente para o espaço, aliam marcenaria e serralheria. No terraço lateral, uma grande bancada em madeira e estrutura metálica se voltam para a paisagem. Na área externa, a paisagista Viviane Menescal trabalha com diferentes texturas de plantas e vasos da Organne, para criar um atmosfera íntima e acolhedora. Dois jardins verticais com musgos revestem as paredes.