A noiva (1973) - Óleo sobre tela e placa de madeira aglomerada. Por Elza O.S.

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) vai abrir a exposição-manifesto "Arte Naïf – Nenhum museu a menos", com curadoria de Ulisses Carrilho e patrocínio cultural de FURNAS, no dia 11 de maio de 2019. A mostra, que receberá mais de 300 obras da coleção Lucien Finkenlstein e ocupará as cavalariças e o palacete, marca a posição da EAV em favor das instituições culturais brasileiras e sua liberdade de expressão.

Parte do acervo do Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil (Mian), que inclui obras nunca antes expostas publicamente, será exibida em diálogo com o trabalho de mais de 40 artistas contemporâneos, entre eles Barbara Wagner & Benjamin de Burca, Barrão, Carmela Gross, Efraim Almeida, Erika Verzutti, Leda Catunda, Marcos Chaves, Nelson Leirner, Rosangela Rennó, Véio e Yuri Firmeza.

A pomba gira (1999) - Óleo sobre eucatex. Por Ricardo Ozias.

Para o Núcleo de Ação Educativa, que atuará com o público na exposição, a EAV firmou parceria com o projeto Afrografiteiras, da Rede NAMI. A programação educativa, que será composta por visitas, debates e oficinas, terá entre os principais eixos temáticos o racismo estrutural e os preconceitos presentes nas classificações da arte. Além da diversidade de poéticas e formas de criar dos artistas populares, historicamente marginalizados ou nomeados de ingênuos por críticos, instituições e historiadores.

Fechado desde dezembro de 2016, o Mian funcionou por 21 anos no Cosme Velho, na zona sul carioca, com um acervo permanente de 6 mil pinturas, de artistas de 120 países. A maior coleção do gênero no mundo inclui preciosidades que nunca foram expostas, como seis telas do artista mineiro Ricardo Ozias, pintadas com os dedos e escovas de dentes, a pedido de Lucien Finkelstein, fundador da instituição.

O chupa-cabras (1994). Óleo sobre tela e eucatex. Por Waldrix (Walter Sanches Jr.)

As pinturas da arte naïf frequentemente narram o cotidiano e o extraordinário que se aloja nele. Ritos e festas populares, experiências de trabalho, convívio social e lazer, esportes e paisagens naturais, manifestações religiosas e espirituais são recortes frequentes. Chamados artistas naïf, os autodidatas (do fazer artístico sem escola ou orientação) foram frequentemente ligados à arte popular e à arte bruta, esta que define a expressão dos inadaptados, dos loucos, médiuns e alienados em geral.